domingo, 25 de janeiro de 2015

A Beleza da Liberdade Utópica
Daniele Souza16:16 0 comentários



De vez em quando me flagro falando sobre a liberdade, sobre ser livre, e,  sempre que surge esse assunto atraio o incansável questionamento: "afinal, até onde vai essa liberdade?".

Por volta de abril de 2014, mais uma vez, este tema vagava em minha mente e escrevi um fragmento do meu questionamento, o qual fiquei de concluir em outro momento porém nunca conclui. Ficou meio que esquecido e nunca mais escrevi a respeito. Hoje me surgiu a vontade de resgatá-lo.

Mas até onde vai essa minha liberdade?
Vou vagando nos cantos da cidade
Mesmo sabendo que não a tenho inteiramente
Busco incessantemente
No interior da minha mente
Inteiramente
Incessantemente


Considero extremamente interessante a forma como lidamos com a liberdade, - a qual imagino deixar claro no fragmento acima que não ponho muita fé - como a pregamos e como acreditamos cegamente que ela realmente existe em sua totalidade. Enchemos a boca para falar: "eu sou livre", as pessoas enchem a boca para nos falar: "você é livre [...]".
Será?
Livre para que?
Para quem?
Até que ponto?

Você é livre para fazer suas próprias escolhas, mas com certeza será julgado por elas;
Para mim, esse fato anula a minha suposta liberdade. Oras, se sou livre para fazer o que me der na telha, como alguém pode ter o direito de me julgar, por meio de seus valores pessoais morais, a minha escolha?
Essa pessoa também é livre para pensar e achar o que quiser, mas é inegável que ao me julgar, a liberdade dela me incomoda pois está invadindo a minha liberdade.
Existe uma grande linha tênue nesse assunto.

Liberdade pra mim é decidir que hoje, num calor de 40 graus vou sair pelada na rua e não vai ter ninguém para me julgar, nem para me prender, porquê afinal, sou livre, posso fazer esta escolha sem que alguém me empate.
Sei que esta comparação pode parecer engraçada, ou talvez ousada e abusiva... Isto me leva a uma série de outros questionamentos, não irei entrar em detalhes para não fugir do tema. Mas enfim o fato é que se for pensar de maneira mais aprofundada, vai perceber que não é uma comparação engraçada, ou talvez ousada e abusiva - como dito antes-, ou pelo menos não deveria ser.
Liberdade para mim é poder fazer a escolha que for sem ser julgada, o que obviamente não acontece e nunca acontecerá.

A verdade é que estamos sujeitos a direitos e deveres, normas e regras de convivência que quer queira ou não, te tira a tão sonhada liberdade.
Não condeno este sistema como um todo, é compreensível que se faça necessário a criação de meios para a manutenção da ordem, senão tudo poderia ser pior do que já é, afinal, não somos educados para ser livres e não sabemos o que fazer com a "liberdade" que ainda temos.
Entretanto o que questiono e me incomoda é afirmar que possuímos algo que não possuímos absolutamente.

A ideia - e a sensação - de liberdade tem uma beleza tentadora e atraente que poucas coisas nessa vida tem igual.
Dispomos do hábito bizarro de admirar aquilo que não temos, talvez este fato seja responsável por conceder à utopia da liberdade, sua beleza excêntrica.
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