terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Arte da Depressão
Felipe Vale12:23 0 comentários

Às vezes me pergunto o porquê de o ser humano ser tão complexo, e esse fato poder lhe trazer tantas coisas boas ou ruins para si mesmo. Na verdade não acho que posso considerar a complexidade em si algo bom ou ruim, mas apenas uma estratégia da vida para conduzir uma pessoa para o que ela bem desejar fazer ou pensar. Chega a ser artístico a forma que expressamos tudo isso. Com algo bom podemos transformar o mundo e com algo ruim infelizmente também. O que me intriga é que algumas pessoas, como eu, se deixam cair para o lado ruim, mas não usam esse lado para destruir mais ainda o mundo, mas sim, o guardam para elas mesmas e depois o mostram de maneira singela. E como expressamos isso? Através, de algum tipo de arte, seja desenhar, pintar, cantar, dançar ou qualquer uma habilidade que cada um possui. Isso leva para algum lado bom no final das contas: expulsar tudo de negativo em você, para algum meio, como uma folha de papel ou uma nota musical, como me referi nas habilidades anteriores. É assim que sinto a forma de fazer me sentir melhor, de tirar toda a depressão que existe por dentro. Incrivelmente, ela deixa tudo mais bonito, seja o resultado da arte feliz ou triste, ela vai conduzindo-nos, como um piloto conduz o seu meio de transporte mas o destino é ele, o piloto, quem vai escolher, a depressão é só o veículo. É como uma necessidade, se no dia-a-dia me sinto obrigado a colocar uma máscara e só mostrar o meu lado bom para as pessoas, as risadas, e todo o positivismo que ainda resta, por puro de prazer de admirar os seus sorrisos, mostrando sempre aquilo que nem sempre sou, ou que um dia fui, ou que já não sei se sou mais, porque às vezes a senhora depressão entra em casa sem bater à porta e chutando a bunda da alegria momentânea, logo, o barbante da máscara começa a incomodar, e na solidão, que é algo odiavelmente adorável para os dramáticos desta vida, você tem que aproveitar o momento, é como se possuísse a necessidade de sentir o ar no rosto novamente, e esse ar, soprar todo aquele sentimento que bate na porta implorando para sair. É o melhor meio de não incomodar as pessoas com a sua "ladainha" de como o mundo só te deixa triste, mesmo repleto de coisas boas para enxergar. Agradeço aos artistas por fazer a verdadeira arte existir, é tipo um remédio, para quem faz e para quem admira. À depressão, não sei se posso agradecer, esperava um outro tipo de veículo, mas ela foi a primeira que apareceu, como um taxi aparece e você está suficientemente desesperado para chegar ao local e gasta seu dinheiro nele mesmo. De qualquer forma e apesar de tudo, viva a arte, de todo o seu jeito, e de toda a forma como ela é considerada e elaborada.



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