sábado, 21 de fevereiro de 2015
Doce Infância
Gostaria de começar ressaltando que eu não acho que tive a infância perfeita nem nada disso, mas sempre tive a ideia de que mantermos o nosso lado "criança" vivo dentro de nós é um bom caminho para viver uma vida mais leve e doce. As vezes até acho que levo isso à sério demais e parece que meu lado "criança" compõe, na verdade, boa parte de mim. Me permito quase sempre usar meu olhar inocente, rir de bobagens, fazer pirraça e graça com quem é mais próximo e me sinto íntima [...] Sei que sou bem mais madura do que aparento para muita gente, mas afinal, pra que ser madura o tempo inteiro? Maturidade demais pesa. Ser adulto também. Faço mesmo é questão de permitir que o meu lado criança exista, e que todos os meus lados experimente essa criança interna.
Mas as vezes eu paro pra observar as crianças da geração moderna, digamos assim, e me questiono que tipo de infância elas têm. A sensação que fica em mim, é de que a infância vem sendo retirada delas pouco a pouco. E aí? Que tipo de referencial essas crianças têm do que é ser criança?
Bom, eu não sou de uma geração tão distante desta. Nasci nos anos 90 e a ~tecnologia~ já estava dando as caras há algum tempo mesmo que de forma ainda acanhada. Então eu experimentei as febres do momento, como por exemplo tamagotchi, mini-game, walkman, alguns videogames que meu irmão teve e que eu adorava jogar, os desenhos que passavam todas as manhãs em vários canais da TV aberta.. era difícil escolher qual assistir!
Mesmo com isso, que para nós era tecnologia, não se deixava de investir em novos tipos de "brinquedos" e novos meios de brincar. Lembro dos álbuns de figurinhas, os tazos, o guaraná "caçulinha" pokémon que vinha um pokémon dentro de uma pokébola junto com o guaraná kkkk, os push pop que eram uma delícia! os geloucos e outros brindes da coca cola que te fazia colecionar as tampinhas pra juntar pontos... Entre tantas outras coisas que tinha um graaaande marketing por detrás (confesso que enxergo isto), mas que deu um gostinho muito especial a minha infância e a infância de muita gente da mesma época, que com certeza faz muita falta e acredito que mostra também uma certa despreocupação da indústria/comércio de produzir e vender esse tipo de coisa.
Ou seja, tudo isso que citei, e que faziam nossas brincadeiras com os amigos um pouco mais divertidas, hoje, perderam espaço para smartphones, tablets etc. O que considero uma pena, tendo em vista que mesmo com todas essas formas de entretenimento que nos eram dada, brincar na rua com os amigos, primos, irmãos, ir ao parquinho, brincar na gangorra, escorregador, balanço... Ainda era muito divertido, coisa que não é muito comum hoje. As crianças realmente preferem brincar com seus smartphones e tablets a ir ao parque, por exemplo. Falo isso porque vi uma entrevista num programa de TV em que uma menina afirmava isso. Ela dizia que até gostava de brincar com os amigos, mas não negava sua preferência pelo tablet.
Enfim, sei que estou dando bastante ênfase ao "brincar" ao "entretenimento" e pode parecer que acho que ser criança e ter infância seja apenas isso. Não. Porém destaco as diferenças que existem entre as brincadeiras de alguns anos atrás e as de atualmente pois o brincar têm função de interação social, aprendizagem e contribui de maneira importantíssima para o desenvolvimento da criança e a forma de entretenimento atual vem afetando, acredito eu, de modo bem negativo a maneira de se vivenciar a infância dos dias de hoje.
Como se não bastasse boa parte das emissoras de TV aberta terem retirado sua programação infantil com desenhos etc, e a tecnologia estar se "infiltrando" desde muito cedo na vida das crianças como forma de entretenimento fazendo com que elas se prendam a basicamente esta forma de se entreter, ainda existe o fato de que essas crianças querem ser e agir como adultos cedo demais. E percebo isso mais marcante nas meninas. Querendo usar as maquiagens da mãe, querendo usar salto, ir para baladas etc... Não é muito difícil encontrar meninas muito novinhas se expondo desse modo em redes sociais.
Não faço bem uma crítica a elas, mas sim, aos elementos que englobam a vida dessas garotas que contribuem para que elas tenham esse tipo de comportamento o qual é muito precoce e tira toda a magia de ser criança.Tão pouco tenho a intenção de condenar este novo estilo de vida dessas crianças, não é bem isso. Até compreendo que os tempos mudam e muita coisa muda junto. Mas eu percebo uma grande desvalorização desta fase quando vejo crianças com os tipos de atitudes citadas acima, querendo pular etapas e "correr" de encontro à vida adulta sem ter idade nem cabeça pra isso. Sem ainda ter chegado perto de sentir o "medo" e a pressão de estar crescendo. Sim, crescer e se aproximar da vida adulta, ter que encarar novas responsabilidades, tomar decisões que poderão mudar o rumo da sua vida gera um medo danado! Ser adulto parece mais legal, só parece. Quando você se aproxima realmente de viver isso percebe a furada que se meteu kkkk
Defendo que é importantíssimo aproveitar a infância como ela é. Sem pressa. Experimentar o melhor de ser criança e guardar esse melhor dentro de si, e quando essa fase passar, que você possa, a partir disso resgata-la e reviver esses momentos doces que vão se tornando cada vez mais raros.
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